O prédio era velho, ali para os lados da Sé, na rua das Pedras Negras. A entrada era larga e o cheiro a chá era intenso, mais tarde vim a saber que era um armazém de chá. À minha frente subia Amélia. Tentava não olhar para as suas formas bem torneadas, mas era impossivel. A escadaria parecia que não terminava, tentava acompanhar a Amelia, mas ela subia rapido e com passadas largas. De súbito parou, virou-se para mim e colocou-me a mão na boca. Bateu a uma porta várias vezes. A porta abriu-se e Amélia fez um sinal com a mão para eu entrar. Estava um pouco apreensivo mas entrei para um corredor que estava completamente ás escuras.
Tudo se passou depressa demais para conseguir recordar devidamente os acontecimentos. Um soco no estomago, outro na boca, um gosto a sangue, uma pancada na nuca e tudo ficou na escuridão...outra vez.
Quando acordei estava preso a uma cadeira, com os olhos vendados e as mãos atadas atrás das costas. As dores de cabeça eram tão intensas que me provocavam tonturas e umas agonias como nunca tinha tido em toda a minha vida. Cada vez percebia menos o que me tinha acontecido. Estava com dificuldade em recordar os acontecimentos. De inicio ainda fiquei preocupado com Amélia, depois comecei a raciocinar e pensei.
" Não, não pode ser, foi a puta de merda que me trouxe aqui, tenho que ficar preocupado é comigo.
Ouvi uma porta a abrir, passos, ruidos metalicos, um arrastar de cadeiras.
"Então amigo"
Misturadas com as dores intensas aquelas palavras pareciam um carrocel em alta velocidade, em que os vómitos eram mais que muitos. Senti que ia desmaiar...pelas dores e pelo medo. Comecei a suar muito, mesmo muito...demais, escorria-me para a boca. Mas faltava qualquer coisa, não podia ser suor, era mais fresca.... Estavam a molhar-me a cara com um pano. Depois molharam-me mais, e mais... Até que me enfiram a cabeça num balde cheio de àgua, e depois ficou tudo escuro... outra vez.
Acordei. Desta vez com uma comichão no tornozelo. A comichão era tanta que tentava coçar batendo com o pé na perna da cadeira. Parei de me mexer. Ruidos outra vez. O medo voltou. Nunca tinha tido tanto medo. Mas os ruidos eram mais um chiar e um amuchucar de papel. O ruido aumentava a cada segundo que passava...ouvia agora gritos que deviam vir da rua, tentava me libertar balançando a cadeira.
Gritos na rua, multidão, chiar, vozes ao longe... um gemido O gemido era muito próximo... Era mesmo ao meu lado. As forças voltavam, eram maiores, devia ser da adrenalina, De repente tudo girou à minha volta. A queda foi violenta. Estava agora no chão, atado à cadeira, a cara molhada e cheia de sangue seco. A venda tinha caido, e a visão que tinha agora era a pior de todas.
Amélia estava no chão, deitada de barriga para baixo e os cabelos a cobrirem-lhe a face. O silêncio na sala era aterrador, interrompido pelo chiar dos ratos que se aproximavam da minha cara.
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O prédio era velho, ali para os lados da Sé, na rua das Pedras Negras. A entrada era larga e o cheiro a chá era intenso, mais tarde vim a saber que era um armazém de chá.
À minha frente subia Amélia. Tentava não olhar para as suas formas bem torneadas, mas era impossivel.
A escadaria parecia que não terminava, tentava acompanhar a Amelia, mas ela subia rapido e com passadas largas. De súbito parou, virou-se para mim e colocou-me a mão na boca. Bateu a uma porta várias vezes. A porta abriu-se e Amélia fez um sinal com a mão para eu entrar. Estava um pouco apreensivo mas entrei para um corredor que estava completamente ás escuras.
Tudo se passou depressa demais para conseguir recordar devidamente os acontecimentos. Um soco no estomago, outro na boca, um gosto a sangue, uma pancada na nuca e tudo ficou na escuridão...outra vez.
Quando acordei estava preso a uma cadeira, com os olhos vendados e as mãos atadas atrás das costas. As dores de cabeça eram tão intensas que me provocavam tonturas e umas agonias como nunca tinha tido em toda a minha vida.
Cada vez percebia menos o que me tinha acontecido. Estava com dificuldade em recordar os acontecimentos. De inicio ainda fiquei preocupado com Amélia, depois comecei a raciocinar e pensei.
" Não, não pode ser, foi a puta de merda que me trouxe aqui, tenho que ficar preocupado é comigo.
Ouvi uma porta a abrir, passos, ruidos metalicos, um arrastar de cadeiras.
"Então amigo"
Misturadas com as dores intensas aquelas palavras pareciam um carrocel em alta velocidade, em que os vómitos eram mais que muitos.
Senti que ia desmaiar...pelas dores e pelo medo.
Comecei a suar muito, mesmo muito...demais, escorria-me para a boca. Mas faltava qualquer coisa, não podia ser suor, era mais fresca....
Estavam a molhar-me a cara com um pano.
Depois molharam-me mais, e mais...
Até que me enfiram a cabeça num balde cheio de àgua, e depois ficou tudo escuro... outra vez.
Acordei. Desta vez com uma comichão no tornozelo. A comichão era tanta que tentava coçar batendo com o pé na perna da cadeira.
Parei de me mexer. Ruidos outra vez. O medo voltou. Nunca tinha tido tanto medo. Mas os ruidos eram mais um chiar e um amuchucar de papel. O ruido aumentava a cada segundo que passava...ouvia agora gritos que deviam vir da rua, tentava me libertar balançando a cadeira.
Gritos na rua, multidão, chiar, vozes ao longe... um gemido
O gemido era muito próximo...
Era mesmo ao meu lado.
As forças voltavam, eram maiores, devia ser da adrenalina,
De repente tudo girou à minha volta.
A queda foi violenta.
Estava agora no chão, atado à cadeira, a cara molhada e cheia de sangue seco. A venda tinha caido, e a visão que tinha agora era a pior de todas.
Amélia estava no chão, deitada de barriga para baixo e os cabelos a cobrirem-lhe a face.
O silêncio na sala era aterrador, interrompido pelo chiar dos ratos que se aproximavam da minha cara.
(continua)
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